A colonização de Marte

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (*)

Na atualidade, um dos grandes defensores dos ciclos ecológicos fechados e da exploração dos recursos extraterrestres é o engenheiro norte-americano Robert Zubrin, principal líder do movimento espacial norte-americano, depois do desaparecimento de Gerard O'Neill, e um dos fundadores da Mars Society, criada com objetivo de promover uma conquista rápida de Marte. Para Robert Zubrin será possível enviar astronautas para o planeta Marte nos próximos dez anos, com um custo de 50 bilhões de dólares, despesa inferior à da Estação Espacial Internacional.

Zubrin planejou uma reduzida expedição a Marte com um modesto veículo espacial que utilizasse quase somente recursos recicláveis. Uma das propostas mais avançadas é a exploração das fontes marcianas capazes de produzir os combustíveis necessários às naves de regresso à superfície terrestre.

Imagina-se que esta técnica poderá ser rapidamente desenvolvida, podendo servir, desde os primeiros anos do século XXI, para as próximas missões automáticas de reconhecimento da superfície do planeta vermelho.

Zubrin não é um mero visionário: as suas exposições vem confirmadas por experiências realizadas em seu laboratório do Colorado, onde testou um aparelho capaz de fabricar propergóis a partir dos gases existentes na atmosfera marciana. Tal sistema poderá ser colocado na superfície do planeta Marte e, deste modo, reabastecer as sondas que deverão trazer as amostras para a Terra nos próximos anos. Uma versão maior deverá ser utilizada mais tarde pelos veículos que transportarão os primeiros exploradores humanos do solo de Marte à superfície terrestre. Para reduzir os gastos durante essas viagens, será possível também fazer uma escala de ida-e-volta a Fobos - um dos dois pequenos satélites de Marte - de onde serão extraídas água e matérias orgânicas, importantes para a vida dos eventuais astronautas assim como para a produção dos combustíveis no próprio local.

A idéia dos novos pioneiros, dentre eles Robert Zubrin, não é somente ir a Marte; eles desejam transformá-lo num planeta habitável e, deste modo, duplicar a superfície que a humanidade poderá dispor no sistema solar. Sua concepção é transformar o planeta vermelho numa segunda Terra. Para isto, será necessário terraformar (terraforming), o planeta, ou seja, utilizar os recursos do próprio astro para criar uma atmosfera respirável, com rios, mares, florestas, bosques, etc. Tal operação é o mais audacioso projeto de "engenharia civil" jamais concebido pela mente humana.

Aliás, convém assinalar que a própria atmosfera terrestre atualmente rica em oxigênio, não o foi no início. A nossa atmosfera foi transformada pela ação de bactérias primitivas nas épocas iniciais da sua história. A proposta dos defensores da terraformação é a de introduzir estes organismos simples capazes de produzir uma biosfera na superfície de Marte ou de outros quaisquer corpos celestes.

Na realidade, o planeta vermelho tem todas as condições para que a terraformação seja possível. Por um lado, os estudos científicos sugerem que existem indícios, segundo o qual o subsolo do planeta vermelho contém uma enorme quantidade de gelo, no interior de seu solo congelado, como o permafrost siberiano. Por outro lado, se o gás carbônico congelado das suas calotas polares fosse liberado na atmosfera marciana, ocorreria um efeito estufa e, em conseqüência, um reaquecimento do clima do planeta. Uma vez iniciado este processo de aquecimento, a temperatura mais elevada aceleraria o degelo das calotas polares e do permafrost subterrâneo. A partir desse momento, o planeta vermelho teria um clima mais ameno, em sua superfície surgiriam rios e lagos, assim como uma vegetação que poderia ser levada da Terra.

 

(*) Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é pesquisador-titutar do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no qual foi fundador e primeiro diretor, autor de mais de 60 livros, entre outros livros, do "O livro de ouro do Universo".

 

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